agosto 11, 2026

Brasil tem risco de terremotos? Entenda por que o país treme e se um grande sismo pode acontecer aqui

Por Raquel Ferreira

Os terremotos recentes na Venezuela e na Colômbia reacenderam uma dúvida entre os brasileiros: o país está protegido contra grandes abalos? Veja o que dizem os dados científicos, quais regiões registram mais tremores e o que realmente pode acontecer

Os terremotos que atingiram a Venezuela em junho de 2026 e a Colômbia em 10 de agosto chamaram novamente a atenção para uma pergunta que costuma surgir sempre que um grande abalo acontece na América do Sul: o Brasil pode ter um terremoto forte?

A resposta curta é: sim, terremotos acontecem no Brasil. O país não está livre de atividade sísmica.

O que muda é o nível de risco.

O Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais zonas de encontro entre placas tectônicas que produzem alguns dos terremotos mais fortes do planeta. Por isso, grandes terremotos destrutivos são muito menos frequentes no território brasileiro do que em países como Chile, Peru, Equador, Colômbia e partes da Venezuela. O Serviço Geológico do Brasil explica que os sismos brasileiros são predominantemente do tipo intraplaca, ocorrendo dentro da placa tectônica.

Isso, entretanto, não significa que um terremoto forte seja impossível.

E os acontecimentos recentes ajudam a entender por quê.

Os terremotos recentes na Venezuela e na Colômbia podem acontecer no Brasil?

Os dois episódios são importantes porque ocorreram relativamente próximos do Brasil, mas pertencem a contextos tectônicos diferentes do que normalmente ocorre em território brasileiro.

Em 24 de junho de 2026, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de grande magnitude em uma sequência que começou com um tremor de magnitude 7,2 e, apenas 39 segundos depois, foi seguido por um terremoto de magnitude 7,5. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou o evento maior como um terremoto superficial relacionado a uma falha de movimento horizontal próximo ao limite de placas.

Pouco mais de um mês depois, em 10 de agosto de 2026, a Colômbia foi atingida por um terremoto de magnitude 7,4, com epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó. Segundo o USGS, o evento ocorreu a aproximadamente 107 quilômetros de profundidade.

Os dois acontecimentos são fortes exemplos de como a América do Sul é uma região com atividade sísmica significativa.

Mas isso não significa que um terremoto de magnitude 7 ou 8 esteja prestes a acontecer no Brasil.

Não existe atualmente uma forma científica confiável de prever exatamente quando e onde ocorrerá um grande terremoto.

O que os cientistas conseguem fazer é identificar áreas com maior ou menor probabilidade de ocorrência sísmica com base na geologia, no histórico de tremores, nas falhas conhecidas e no comportamento das placas tectônicas.

Afinal, o que é um terremoto?

Um terremoto é um movimento repentino da crosta terrestre provocado principalmente pelo deslocamento de blocos de rocha ao longo de uma falha geológica.

As placas tectônicas estão em movimento constante, embora esse deslocamento seja extremamente lento em escala humana.

Em determinadas regiões, as rochas podem ficar presas devido ao atrito. Enquanto o movimento continua, a tensão aumenta.

Quando a tensão acumulada supera a resistência das rochas, ocorre uma ruptura ou deslocamento.

A energia armazenada é então liberada na forma de ondas sísmicas, que se propagam pelo interior e pela superfície da Terra.

É esse movimento que sentimos como um terremoto ou tremor de terra.

O que são hipocentro e epicentro?

Esses dois termos aparecem frequentemente nas notícias sobre terremotos.

Hipocentro é o ponto no interior da Terra onde começa a ruptura que provoca o terremoto.

Epicentro é o ponto localizado na superfície diretamente acima do hipocentro.

Quando uma notícia informa que o epicentro ficou próximo de determinada cidade, isso não significa necessariamente que o terremoto começou na superfície.

A ruptura aconteceu em profundidade.

Por que as placas tectônicas provocam terremotos?

A superfície rígida da Terra não é uma peça única.

Ela é dividida em grandes blocos chamados placas tectônicas.

Essas placas se movimentam lentamente e podem:

  • aproximar-se;
  • afastar-se;
  • deslizar lateralmente;
  • sofrer deformações em suas bordas;
  • acumular tensão em falhas.

A maior parte dos grandes terremotos do planeta acontece nas regiões onde essas placas interagem.

O chamado Círculo de Fogo do Pacífico, por exemplo, concentra uma enorme quantidade de atividade sísmica porque reúne diversas zonas de encontro e subducção de placas. O USGS estima que cerca de 81% dos maiores terremotos do planeta ocorram nessa grande faixa ao redor do Pacífico.

É por isso que países como Chile, Peru, Equador, Japão e Indonésia registram terremotos muito mais fortes e frequentes do que o Brasil.

Por que o Brasil tem menos terremotos fortes?

O Brasil está praticamente todo localizado no interior da Placa Sul-Americana.

Na região oeste do continente, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana, processo conhecido como subducção.

Essa interação está relacionada à formação dos Andes e à intensa atividade sísmica de países localizados próximos à Cordilheira.

Mas a zona de contato entre essas placas está longe da maior parte do território brasileiro.

O Brasil, portanto, não está localizado sobre uma grande fronteira tectônica ativa como ocorre no Chile.

Isso reduz significativamente a frequência de terremotos de grande magnitude no país.

Mas existe um detalhe importante.

Estar longe da borda de uma placa não significa estar livre de terremotos.

O que são terremotos intraplaca?

São terremotos que acontecem dentro de uma placa tectônica, e não necessariamente na fronteira entre duas placas.

É exatamente o tipo de atividade sísmica que ocorre no Brasil.

A explicação está no fato de que as placas não são blocos perfeitamente rígidos e sem deformações.

Tensões geradas em suas bordas podem ser transmitidas por grandes distâncias.

Quando essas tensões encontram áreas de fraqueza ou antigas fraturas na crosta, elas podem provocar novos movimentos.

O USGS explica que terremotos também podem ocorrer no interior dos continentes, longe das bordas das placas, porque antigas estruturas geológicas e zonas de fraqueza podem voltar a concentrar tensão.

É uma das razões pelas quais o Brasil registra terremotos mesmo estando distante das grandes zonas de colisão tectônica.

Onde acontecem mais terremotos no Brasil?

A atividade sísmica brasileira não está distribuída de maneira uniforme.

Algumas regiões apresentam histórico de tremores mais frequentes.

O Nordeste possui diversas áreas com registros sísmicos, especialmente a região da Província Borborema.

O Rio Grande do Norte, por exemplo, possui um histórico importante de atividade sísmica.

O Ceará também registra terremotos e tremores.

No Norte do país, especialmente na região do Acre e do Amazonas, podem ocorrer terremotos relacionados não apenas à atividade intraplaca, mas também à influência da subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana.

Isso significa que dizer simplesmente que “não há terremotos no Brasil” é errado.

Eles existem e são monitorados.

Qual foi o maior terremoto já registrado no Brasil?

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o maior terremoto registrado no território brasileiro ocorreu em 1955, com epicentro localizado aproximadamente 370 quilômetros ao norte de Cuiabá, no Mato Grosso.

O evento atingiu magnitude 6,2.

É um número muito inferior aos maiores terremotos registrados em zonas de subducção, mas demonstra que terremotos de magnitude considerável podem ocorrer dentro do território nacional.

Outro episódio importante aconteceu em 1980, no Ceará.

Um terremoto de magnitude 5,2 foi sentido em grande parte do Nordeste e provocou o desabamento parcial de algumas casas em Pacajus.

Esses episódios mostram que o risco brasileiro é baixo em comparação com os países situados nas bordas das placas, mas não é zero.

Um terremoto de magnitude 6 pode destruir uma cidade brasileira?

Não existe uma resposta automática.

A magnitude sozinha não determina o tamanho dos danos.

Também é necessário considerar:

  • profundidade do terremoto;
  • distância até as áreas habitadas;
  • tipo de solo;
  • qualidade das construções;
  • duração do tremor;
  • características das ondas sísmicas;
  • densidade populacional;
  • infraestrutura local.

Um terremoto profundo pode ser sentido em uma área enorme, mas provocar danos diferentes de um terremoto superficial de magnitude semelhante.

Da mesma forma, um terremoto relativamente moderado pode causar problemas importantes se ocorrer muito próximo de uma cidade e em uma área com construções vulneráveis.

Magnitude e intensidade são a mesma coisa?

Não.

Essa é uma das confusões mais comuns quando se fala de terremotos.

Magnitude mede o tamanho do terremoto na origem, enquanto intensidade descreve os efeitos e o nível de tremor percebido em determinado local.

Um único terremoto possui uma magnitude, mas pode produzir diferentes intensidades em diferentes cidades.

Uma cidade próxima ao epicentro pode sentir um tremor muito forte, enquanto outra, localizada centenas de quilômetros distante, pode sentir apenas uma vibração leve.

O USGS destaca justamente essa diferença entre magnitude, que está relacionada ao tamanho do terremoto, e intensidade, que varia conforme a localização, distância, tipo de solo e outros fatores.

A escala Richter ainda é usada?

A chamada Escala Richter ficou famosa mundialmente, mas atualmente os grandes terremotos são normalmente expressos pela magnitude de momento sísmico (Mw).

A escala Richter foi desenvolvida por Charles Richter em 1935 e utiliza uma relação logarítmica para medir a amplitude das ondas registradas.

Para terremotos grandes, entretanto, a magnitude de momento é mais adequada porque considera características físicas da ruptura da falha.

O USGS informa que a magnitude de momento (Mw) é atualmente uma das principais medidas utilizadas para grandes terremotos.

Por que um terremoto de magnitude 7 é muito mais forte que um de magnitude 6?

A escala de magnitude é logarítmica.

Um aumento de uma unidade representa aproximadamente 10 vezes mais amplitude registrada e cerca de 32 vezes mais energia liberada.

Isso significa que a diferença entre magnitude 6 e magnitude 7 não é pequena.

E a diferença entre magnitude 7 e magnitude 8 é ainda maior.

Por isso, os grandes terremotos são eventos extraordinariamente energéticos.

O Brasil pode ter um terremoto de magnitude 7?

Do ponto de vista científico, não é correto afirmar que seja impossível.

O Brasil apresenta atividade intraplaca e possui estruturas geológicas antigas que podem acomodar tensões.

Ao mesmo tempo, não há evidência de que o país esteja caminhando para um terremoto de magnitude 7.

Também não existe hoje um método científico capaz de dizer que determinado terremoto acontecerá em determinada cidade em determinada data.

Portanto, duas afirmações devem ser evitadas:

“o Brasil nunca terá um terremoto forte.”

e

“um grande terremoto está prestes a acontecer no Brasil.”

Nenhuma delas é sustentada pelos dados disponíveis.

Os terremotos da Venezuela podem provocar um grande terremoto no Brasil?

Não há evidência de que os terremotos de junho de 2026 na Venezuela tenham criado uma ameaça automática de um grande terremoto no Brasil.

Os eventos venezuelanos ocorreram em uma área tectonicamente distinta e foram associados a falhas próximas ao limite de placas.

O USGS registrou os dois principais terremotos da sequência como magnitude 7,2 e 7,5.

Grandes terremotos podem alterar temporariamente as tensões em outras falhas, e pesquisadores estudam fenômenos de transferência de estresse e atividade desencadeada.

Mas isso não significa que um terremoto em um país automaticamente provoque outro grande terremoto em um país vizinho.

Não existe uma espécie de “efeito dominó” simples que permita prever um terremoto no Brasil a partir de um terremoto na Venezuela ou na Colômbia.

E o terremoto da Colômbia de 10 de agosto de 2026?

O terremoto que atingiu a Colômbia em 10 de agosto de 2026 teve magnitude 7,4, segundo o USGS, e ocorreu a cerca de 107 quilômetros de profundidade, próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó.

O evento foi suficientemente forte para ser sentido em uma ampla área.

Sua localização e profundidade também ajudam a explicar por que o tremor pôde ser percebido a grandes distâncias.

O caso reforça uma realidade importante: a América do Sul possui áreas com atividade sísmica significativa, mas o risco não é igual em todos os países ou regiões.

O Brasil pode sentir um terremoto que acontece em outro país?

Sim.

Isso já aconteceu diversas vezes.

O próprio Serviço Geológico do Brasil registra que, em 1994, um terremoto de magnitude 7,8 ocorrido na Bolívia foi sentido em Porto Alegre, a cerca de 2.200 quilômetros do epicentro. Como o terremoto ocorreu a aproximadamente 600 quilômetros de profundidade, seus efeitos foram muito diferentes dos de um terremoto superficial.

Isso mostra que o território brasileiro também pode sentir as ondas sísmicas produzidas por grandes terremotos ocorridos em países vizinhos.

Um terremoto no Chile pode ser sentido no Brasil?

Dependendo da magnitude, profundidade e localização, sim.

As ondas sísmicas podem viajar enormes distâncias pelo interior da Terra.

Quanto maior o terremoto, maior a quantidade de energia liberada e maior a possibilidade de que seus efeitos sejam detectados ou sentidos a longas distâncias.

Por isso, um grande terremoto nos Andes pode ser registrado por estações sismográficas brasileiras mesmo quando não produz danos no Brasil.

Existem falhas geológicas no Brasil?

Sim.

O território brasileiro possui inúmeras estruturas geológicas antigas, incluindo falhas e fraturas.

Nem toda falha é ativa.

Uma falha geológica pode permanecer sem apresentar movimentos significativos durante longos períodos.

Mas antigas zonas de fraqueza podem funcionar como locais onde as tensões da crosta se concentram.

É justamente por isso que os terremotos intraplaca são importantes para a ciência.

O fato de uma região estar no interior de uma placa não elimina completamente a possibilidade de movimentação das rochas.

É possível prever um terremoto?

Não com a precisão de dizer dia, hora e local.

Os cientistas conseguem monitorar terremotos, estudar falhas, calcular probabilidades e identificar regiões de maior risco.

Mas prever exatamente quando ocorrerá um grande terremoto continua sendo um dos grandes desafios da sismologia.

O USGS ressalta que, embora seja possível identificar regiões onde terremotos são mais prováveis, não é possível determinar com precisão quando um evento específico acontecerá.

Por isso, sistemas de monitoramento e preparação são mais importantes do que tentar adivinhar a data de um futuro terremoto.

O Brasil monitora os terremotos?

Sim.

A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) monitora a atividade sísmica em todo o território nacional e reúne informações produzidas por estações instaladas em diferentes regiões do país.

Também existem redes regionais e instituições acadêmicas envolvidas no monitoramento e estudo dos terremotos.

Esses sistemas permitem detectar tremores que muitas vezes nem são percebidos pela população.

Isso é importante porque nem todo terremoto é sentido pelas pessoas.

Alguns são detectados apenas por instrumentos.

Por que alguns terremotos brasileiros não são sentidos?

Porque a magnitude pode ser pequena, o terremoto pode ocorrer em uma região pouco povoada ou as ondas podem chegar à superfície com intensidade insuficiente para causar percepção humana.

Além disso, a sensibilidade das pessoas varia.

Um mesmo tremor pode ser percebido por alguém em um prédio alto e passar despercebido por outra pessoa em uma casa térrea.

O tipo de solo também interfere na maneira como o movimento é sentido.

O que fazer durante um terremoto?

Mesmo em um país de baixo risco sísmico como o Brasil, algumas medidas básicas são importantes.

Durante um tremor dentro de uma construção, uma orientação amplamente utilizada internacionalmente é abaixar-se, proteger-se e segurar-se.

Fique longe de janelas e objetos que possam cair.

Não use elevadores durante o tremor.

Se estiver dentro de um prédio, procure proteção sob um móvel resistente ou junto a uma área estrutural segura, conforme as orientações locais de emergência.

Se estiver ao ar livre, afaste-se de prédios, postes, árvores e estruturas que possam cair.

Depois do tremor, tenha cuidado com possíveis vazamentos, fios elétricos e estruturas danificadas.

Um terremoto pode provocar tsunami no Brasil?

Em teoria, terremotos submarinos podem gerar tsunamis.

Mas isso não significa que todo terremoto no oceano produza um tsunami.

Os maiores riscos de tsunami estão associados principalmente a grandes terremotos submarinos capazes de deslocar verticalmente uma grande área do fundo do mar.

O litoral brasileiro está distante das principais zonas de subducção responsáveis pela maioria dos grandes tsunamis do Pacífico.

Por isso, o risco de um tsunami destrutivo no Brasil é considerado muito menor do que em países situados diretamente sobre essas zonas.

Mesmo assim, o oceano Atlântico possui atividade tectônica, especialmente na região da Dorsal Mesoatlântica.

O Brasil é um país sem risco de terremoto?

Não.

A melhor definição seria:

o Brasil é um país de atividade sísmica relativamente baixa quando comparado às principais zonas sísmicas do planeta, mas não é um país livre de terremotos.

Essa diferença é fundamental.

O território brasileiro registra tremores todos os anos.

A maioria é pequena.

Alguns podem ser sentidos.

Poucos atingem magnitudes capazes de provocar danos relevantes.

Grandes terremotos são muito menos frequentes.

Os maiores terremotos da história

Quando se fala nos maiores terremotos, é importante separar magnitude, número de vítimas e impacto.

O maior terremoto instrumentalmente registrado ocorreu no Chile em 1960. Mas alguns terremotos históricos, anteriores à existência dos instrumentos modernos, podem ter causado enorme destruição e milhares ou milhões de vítimas.

Entre os grandes terremotos conhecidos ou historicamente documentados estão:

1556 — Shaanxi, China

O terremoto ocorrido em 23 de janeiro de 1556 é considerado o terremoto mais mortal da história registrada, com estimativas de centenas de milhares de mortos. Como ocorreu antes da existência da sismologia instrumental moderna, sua magnitude é uma estimativa histórica.

1700 — Cascadia, América do Norte

O chamado terremoto de Cascadia ocorreu na costa oeste da América do Norte. Evidências geológicas e registros japoneses de tsunami ajudaram pesquisadores a reconstruir o evento, estimado em aproximadamente magnitude 9.

1755 — Lisboa, Portugal

O terremoto de Lisboa, ocorrido em 1º de novembro de 1755, destruiu grande parte da cidade e provocou um tsunami no Atlântico. O número exato de mortos é incerto, e as estimativas variam.

1906 — Colômbia e Equador

Um enorme terremoto atingiu a região costeira entre Colômbia e Equador em 31 de janeiro de 1906. Estimativas modernas colocam o evento em aproximadamente magnitude 8,8.

1952 — Kamchatka, Rússia

O terremoto de Kamchatka de 4 de novembro de 1952 atingiu magnitude 9,0 e provocou um grande tsunami no Pacífico. O evento está entre os maiores terremotos instrumentais já registrados.

1960 — Chile

O terremoto de Valdivia, em 22 de maio de 1960, atingiu magnitude 9,5 e continua sendo o maior terremoto já registrado instrumentalmente. O evento provocou um enorme tsunami que atravessou o Pacífico. O USGS considera o terremoto de 1960 o maior já registrado.

1964 — Alasca, Estados Unidos

O terremoto do Alasca, ocorrido em 27 de março de 1964, atingiu magnitude 9,2 e durou aproximadamente quatro minutos e meio. É o maior terremoto já registrado na história dos Estados Unidos e o segundo maior do mundo na lista instrumental do USGS.

2004 — Sumatra, Indonésia

O terremoto de Sumatra-Andaman atingiu magnitude 9,1 e provocou um dos tsunamis mais devastadores da história moderna. Mais de 280 mil pessoas morreram ou ficaram desaparecidas em diferentes países afetados.

2010 — Chile

O terremoto de Maule, no Chile, atingiu magnitude 8,8 e provocou fortes danos, além de tsunami.

2011 — Japão

O terremoto de Tōhoku atingiu magnitude 9,1 em 11 de março de 2011. O terremoto provocou um enorme tsunami e causou mais de 15 mil mortes.

2025 — Kamchatka, Rússia

Em 2025, um terremoto de magnitude 8,8 em Kamchatka entrou para a lista dos maiores terremotos instrumentais já registrados, empatando com outros eventos de magnitude semelhante. O USGS o classifica entre os maiores terremotos registrados desde o início do monitoramento instrumental moderno.

Qual foi o maior terremoto já registrado no mundo?

Até o momento, o recorde pertence ao terremoto de Valdivia, no Chile, de 1960, com magnitude 9,5.

O evento foi tão grande porque uma enorme extensão de uma zona de subducção sofreu ruptura.

Não existe, porém, uma escala prática na qual simplesmente se possa imaginar terremotos infinitamente maiores.

O tamanho de um terremoto depende, entre outros fatores, da extensão da falha que rompe.

O USGS explica que um terremoto de magnitude 10 exigiria uma falha de dimensões extraordinárias, e não há uma falha conhecida capaz de produzir um evento dessa magnitude.

O que os terremotos da Venezuela e da Colômbia ensinam ao Brasil?

Os acontecimentos de 2026 não significam que o Brasil esteja prestes a enfrentar um grande terremoto.

Eles servem, entretanto, como um lembrete de que a América do Sul é geologicamente ativa.

O Brasil possui uma situação diferente de seus vizinhos andinos, mas não está completamente fora do sistema tectônico que movimenta o continente.

Terremotos podem acontecer dentro de placas.

Grandes terremotos podem ser sentidos a centenas ou milhares de quilômetros.

E a ausência de grandes desastres sísmicos frequentes no Brasil não significa que o fenômeno seja impossível.

A ciência, portanto, não recomenda pânico.

Recomenda conhecimento, monitoramento e preparação.

Para quem vive no Brasil, a pergunta mais correta não é “o Brasil terá um terremoto?”, porque ele já tem terremotos.

A questão realmente importante é:

qual é o tamanho dos terremotos que podem ocorrer em cada região e quais seriam seus possíveis efeitos?

É justamente essa pergunta que a sismologia, a geologia e as redes de monitoramento procuram responder continuamente.