agosto 8, 2026

Conheça as cidades mais antigas da Paraíba

Por Raquel Ferreira

Da capital João Pessoa ao Sertão, cidades paraibanas preservam séculos de história, cultura e patrimônio — e algumas guardam vestígios que remontam a milhões de anos.

No Nordeste brasileiro, a Paraíba se destaca não apenas pelas praias, paisagens naturais e cultura, mas também pela importância histórica de seus municípios.

Com 56.467,243 km² de extensão territorial e população estimada em mais de 4,1 milhões de habitantes em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado está entre os menores do Brasil em território, mas possui uma história que atravessa diferentes períodos da formação do país.

Entre suas cidades estão locais que participaram diretamente do processo de ocupação colonial, municípios que cresceram com a agricultura e a pecuária e lugares que hoje preservam importantes patrimônios históricos, culturais e paleontológicos.

Conhecer algumas das cidades mais antigas da Paraíba é, portanto, também conhecer diferentes capítulos da história brasileira.

João Pessoa: uma das cidades mais antigas do Brasil

Entre as cidades mais antigas da Paraíba, João Pessoa ocupa posição de destaque. Fundada em 5 de agosto de 1585, às margens do Rio Sanhauá, a capital paraibana é reconhecida como a terceira capital mais antiga do Brasil.

A cidade nasceu com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves. Posteriormente, recebeu outras denominações, entre elas Filipéia de Nossa Senhora das Neves, durante o período da União Ibérica, e Frederikstadt, durante a ocupação holandesa.

Após a saída dos holandeses, a cidade passou a ser conhecida como Parahyba do Norte. Somente em 1930 recebeu o nome de João Pessoa, em homenagem ao então presidente da Paraíba, assassinado naquele ano no Recife.

Mais de quatro séculos depois de sua fundação, João Pessoa continua sendo a cidade mais populosa da Paraíba. O Censo 2022 registrou 833.932 habitantes, enquanto a estimativa do IBGE para 2025 aponta 897.633 habitantes.

Além da importância histórica, a capital também é um dos principais destinos turísticos do estado. Seu Centro Histórico reúne igrejas, casarões, museus e outros monumentos que ajudam a contar a história da ocupação portuguesa.

Ao mesmo tempo, João Pessoa é conhecida pelas praias e pela paisagem litorânea. Entre os pontos mais conhecidos está a Praia de Cabo Branco, que combina o turismo de natureza com a proximidade da área urbana.

As diferentes fases da história de João Pessoa

A história da capital paraibana passou por diferentes períodos e nomes.

A fundação ocorreu em 1585, em um contexto de expansão portuguesa e de disputas pelo controle do território. A cidade foi estabelecida próxima ao Rio Sanhauá, e não diretamente à beira-mar, característica que ajudou a marcar seu desenvolvimento.

Em 1588, passou a ser chamada de Filipéia de Nossa Senhora das Neves. Durante a ocupação holandesa, iniciada em 1634, recebeu o nome de Frederikstadt.

Com o fim do domínio holandês, voltou ao controle português e posteriormente passou a ser chamada de Parahyba do Norte.

Em 1930, após a morte de João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, a capital recebeu o nome que mantém atualmente.

Essa sequência de nomes revela como a cidade esteve diretamente ligada às transformações políticas e territoriais ocorridas no Brasil desde o período colonial.

Pilar, uma das cidades históricas da Paraíba

Pilar também ocupa um lugar importante na história paraibana.

O povoamento da região remonta ao período colonial, e documentos do IBGE registram a presença de fazendas de criação de gado e posteriormente de atividades relacionadas à mineração e à produção de açúcar.

Pilar recebeu o status de vila por Carta Régia de 14 de setembro de 1758. A localidade chegou a ser extinta administrativamente em 1881 e voltou à condição de vila em 1885.

A economia açucareira teve grande importância para o desenvolvimento do município. A presença de engenhos contribuiu para transformar a região em um importante centro econômico da Paraíba durante o período imperial.

Em 1859, Pilar recebeu uma visita histórica: o imperador Dom Pedro II esteve no município e foi hospedado no solar do Barão de Maraú.

Atualmente, Pilar possui pouco mais de 12 mil habitantes. O Censo 2022 registrou 12.311 pessoas, enquanto a estimativa do IBGE para 2025 é de 12.889 habitantes.

Pilar e José Lins do Rego

A importância cultural de Pilar também está ligada à literatura brasileira.

O município é conhecido como terra natal de José Lins do Rego, um dos grandes nomes da literatura brasileira do século XX.

O escritor nasceu em 1901, no Engenho Corredor, localizado no município, e utilizou em sua obra muitos elementos relacionados ao universo dos engenhos de açúcar e à sociedade nordestina. Entre seus livros estão Menino de Engenho, Doidinho, Usina e Fogo Morto.

Por isso, a história de Pilar ultrapassa seus limites geográficos e também ocupa espaço importante na literatura brasileira.

Campina Grande: história, algodão e desenvolvimento

Localizada no Agreste paraibano, Campina Grande é atualmente a segunda cidade mais populosa da Paraíba.

Segundo o IBGE, o município tinha 419.379 habitantes no Censo 2022 e a população estimada para 2025 é de 443.911 pessoas.

A ocupação da região começou ainda no período colonial. A expansão para o interior foi acompanhada pelo desenvolvimento da pecuária, da agricultura e das atividades comerciais.

Com o passar dos séculos, Campina Grande tornou-se um importante centro econômico regional.

Um dos capítulos mais marcantes dessa trajetória foi a expansão da produção e comercialização do algodão. O produto teve papel fundamental no crescimento econômico do município e ajudou a conectar Campina Grande a outras regiões do Brasil e ao mercado internacional.

A localização estratégica também favoreceu o desenvolvimento do comércio, transformando a cidade em um importante polo do interior nordestino.

O que conhecer em Campina Grande

Além de sua importância econômica, Campina Grande possui patrimônio histórico e cultural que atrai visitantes durante todo o ano.

Um dos símbolos da cidade é o Açude Velho, localizado em uma área central e cercado por espaços de convivência.

Outro destaque é o Museu do Algodão, instalado no antigo prédio da estação ferroviária. O espaço ajuda a preservar a memória de uma das atividades econômicas que mais influenciaram o desenvolvimento da cidade.

Campina Grande também é conhecida nacionalmente por sua forte tradição cultural e pelas festas populares, especialmente durante o período junino.

Assim, a cidade combina desenvolvimento urbano, memória histórica e manifestações culturais que ajudam a explicar sua importância para a Paraíba.

Sousa: do Jardim do Rio do Peixe ao Vale dos Dinossauros

No Sertão paraibano, Sousa possui uma história que remonta aos primeiros processos de ocupação do interior da Paraíba.

A região começou a ser povoada ainda no final do século XVII e início do século XVIII. Colonos vindos de outras regiões chegaram às margens do Rio do Peixe, onde desenvolveram atividades relacionadas à pecuária e à agricultura.

O local ficou conhecido inicialmente como Jardim do Rio do Peixe.

Segundo a Prefeitura de Sousa, em 1730 a região já contava com cerca de 1.468 habitantes, demonstrando o crescimento relativamente rápido daquele núcleo de povoamento.

A organização do povoado esteve ligada à atuação de Bento Freire de Sousa, que ajudou a estruturar a comunidade e a construir a primeira capela dedicada a Nossa Senhora dos Remédios.

Em 22 de julho de 1766, o povoado foi elevado à categoria de vila por Carta Régia. Posteriormente, em 1854, Sousa foi elevada à categoria de cidade.

Atualmente, o município possui cerca de 70 mil habitantes. O IBGE registra 67.259 habitantes no Censo 2022 e estima uma população de 70.066 pessoas em 2025.

Sousa e um patrimônio que vem de milhões de anos

Se a história de Sousa já é importante para compreender a ocupação do Sertão paraibano, a região também guarda algo muito mais antigo: vestígios de dinossauros.

O Vale dos Dinossauros, localizado no município, é um dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil.

O local reúne inúmeras pegadas fossilizadas de dinossauros preservadas nas rochas da Bacia do Rio do Peixe. O Serviço Geológico do Brasil destaca a importância da região e registra centenas de trilhas fossilizadas.

O patrimônio é tão relevante que o Vale dos Dinossauros é reconhecido como um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo.

E a região continua revelando novidades.

Em 2026, pesquisadores identificaram na Bacia do Rio do Peixe uma nova pegada de um réptil carnívoro, descoberta que ampliou o conhecimento científico sobre a fauna pré-histórica que habitou o território paraibano.

Um encontro entre arqueologia e paleontologia

Sousa também ganhou destaque internacional por outro motivo.

O Sítio Serrote do Letreiro, localizado no Vale dos Dinossauros, reúne pegadas fossilizadas de dinossauros associadas a manifestações de arte rupestre produzidas por populações pré-coloniais.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), trata-se de uma associação considerada única no mundo, mostrando que populações humanas que viveram milhares de anos depois dos dinossauros reconheceram e incorporaram esses vestígios fósseis em sua expressão simbólica.

É um exemplo extraordinário de como diferentes períodos da história podem estar registrados em um mesmo território.

Uma viagem pela história da Paraíba

Conhecer as cidades mais antigas da Paraíba é percorrer diferentes períodos da formação do estado.

Em João Pessoa, estão as marcas da fundação da Paraíba colonial e mais de quatro séculos de transformações políticas e culturais.

Em Pilar, a história dos engenhos, a passagem de Dom Pedro II e a memória de José Lins do Rego mostram a importância do município para a cultura paraibana.

Em Campina Grande, a expansão do comércio, do algodão e das atividades econômicas ajudou a transformar a cidade em um dos principais centros urbanos do interior nordestino.

Sousa apresenta uma combinação ainda mais surpreendente: de um lado, a história da ocupação do Sertão; de outro, um patrimônio paleontológico que preserva pegadas de animais que viveram milhões de anos antes da existência das primeiras sociedades humanas.

A Paraíba pode ser um dos menores estados brasileiros em extensão territorial, mas sua história está longe de ser pequena.

Da costa de João Pessoa às paisagens do Sertão, cada município guarda capítulos diferentes de uma trajetória que envolve povos indígenas, colonização, conflitos, agricultura, comércio, literatura, cultura e ciência.

Mais do que conhecer cidades antigas, viajar pela Paraíba é encontrar, no mesmo território, diferentes camadas do passado brasileiro — algumas com poucos séculos e outras com milhões de anos.